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segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Um olhar sobre Havana

Olhar sobre Havana, por Luciana Genro

Cuba é um país complexo. Não é fácil, portanto, emitir uma opinião equilibrada, não  maniqueísta. Em geral as paixões  nos cegam. Quem é socialista, como eu, fica com o estômago virado ao ouvir os profetas do capitalismo, aqueles que endeusam  a sociedade consumista, abissalmente desigual e  superficial, atacarem Cuba. Eles criticam a falta de democracia em Cuba, mas nunca criticam a democracia dos ricos, onde as eleições são a festa dos endinheirados. Enchem a boca para falar que os cubanos “não podem nem comprar um tênis Nike”, mas não falam dos meninos que matam e morrem  por um tênis Nike nas terras da democracia do capital. Se horrorizam com a pena de morte em Cuba, mas não se importam com as execuções sumárias protagonizadas pelas milícias e pelas polícias nos países onde impera o “devido processo legal”.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

A transição do “socialismo de estado” ao novo socialismo: o caso cubano
Por Narciso Isa Conde, do Movimento Caamañista (República Dominicana)

Cuba, além de suas realizações no domínio da educação, saúde, cultura, soberania, esportes, consciência anti-imperialista e anticapitalista, desenvolvimento científico, levou adiante “a expropriação dos apropriadores”, isto é, a erradicação da propriedade privada capitalista em favor do Estado revolucionário.
O problema tem sido que esta expropriação não foi um ato de curta duração para depois socializar gradualmente os meios de produção, distribuição, serviços, cultura, ideologia, comunicação, produção científica. . . Nem definitivamente foi acompanhada por um sistema político democrático- participativo e de um poder popular e cidadão com organizações sociais autônomas e diferentes papéis do Estado.
Apesar da forte “cubanidade” desse processo revolucionário e do constante esforço para limitar sua “sovietização”, ao longo dos anos foi influenciado pela bipolaridade mundial (EUA-URSS) e impregnado com o “modelo” euro-soviético, caracterizado pelo estatismo, o planejamento burocrático centralizado, a estagnação dos órgãos de poder popular, a fusão do Estado com partidos e organizações de massa, o verticalismo político e a limitação às liberdades políticas e cidadãs.
Para onde mudar?